FAN FIC - QUANDO O PASSADO BATE À PORTA



FAN FIC – QUANDO O PASSADO BATE À PORTA
Uma continuação de Rise of the Tomb Raider

A fan fic que pode ser lida a seguir inicia-se exatamente no final de Rise of the Tomb Raider e compõe uma continuação para a história do jogo. Tudo foi escrito de modo a respeitar cada HQ lançada, cada jogo e cada documento dentro dos jogos. Ao longo da história vão existir referências a documentos, jogos e HQs que estarão devidamente assinaladas e explicadas para que todos as possam entender. É escusado dizer que tudo o que estiver daqui para baixo contém SPOILERS de Rise of the Tomb Raider.

É recomendado que não leiam esta fan fic sem conhecer a história do jogo. Se quiser vê-la (ou revê-la) clique AQUI para assistir a todas as cutscenes dubladas. É aconselhado que todos vejam (ou revejam) pelo menos a cena final do jogo. Agora sim, estará pronto para ler esta continuação!

(É ainda de referir que a fan fic está escrita em português de Portugal e algumas palavras podem ser escritas de maneira diferente no Brasil, ainda que se consiga entender tudo perfeitamente)


SINOPSE
Quem matou Ana? Quem mandou matar Ana? Será mesmo que ela morreu? E o pai de Lara? O que realmente aconteceu com ele? Rise of the Tomb Raider encerra com várias pontas soltas. Todas elas esclarecidas e explicadas agora. Algo após os acontecimentos do jogo faz Lara mergulhar numa nova e emocionante aventura, onde ela encontra mais respostas do que as suas próprias perguntas. Com um final mais do que surpreendente, esta continuação de Rise of the Tomb Raider, de leitura obrigatória a qualquer fã, promete fechar com chave de ouro uma grande trilogia.

CAPÍTULO 1 – Há segredos lá fora


- Ana, tu disseste “Outro Croft não precisa de morrer por isto”. O que quiseste dizer?
- Tu mataste o meu pai, não foi? – aproximou-se Lara, ameaçando-a com o revólver.
- A Trindade ordenou a execução dele. Mas… eu não consegui… - respondeu Ana, de cabeça decaída.
- Estás a mentir! – interrompeu.
- Eu amava-o. – suspirou.
Ouviu-se, nesse instante, um tiro de sniper ecoante que perfurou uma bala no ombro de Ana.
- NÃÃO!! – gritou Lara, agachando-se.
- Está feito. – informou, ao longe, o sniper.
- Ótimo. – respondeu alguém pelo rádio.
- E quanto à Lara? – perguntou.
- Não. Ainda não…
- Lara… - sussurrou a madrasta sem força e de mão estendida.
- Ana! – gritou Lara, levantando-se.
Tentou ajudá-la com alguns curativos que lhe tinham sobrado. Chamou ajuda. Um helicóptero estava prestes a chegar. Ela estava viva, mas inconsciente. Tinha perdido algum sangue.
Já no hospital mais próximo, Ana, agora desperta e deitada na cama, aguardava uma cirurgia. Lara permanecia na sua frente, em pé e parada. Desiludida, magoada e com raiva.
- Lara, eu…
- Tenta não falar. – interrompeu – Por ti, não por mim.
- Há mais por descobrir. – sussurrava Ana – Esta história não chegou ao fim. Está só a começar.
- O que é que…
- As serpentes que caminham. Ela…
Este foi o seu último suspiro. Ana revirou os olhos e morreu. Por mais que quisesse negar, Lara só lamentava não ter ouvido o resto da frase. A sua última frase.
Os enfermeiros entraram pelo quarto dentro e travaram ao ver a mulher morta.
- Foi tarde demais. Não houve tempo. Lamento imenso, senhora. – aproximou-se um.
- Vamos levá-la para a morgue. A senhora terá tempo de contactar uma funerária para a sua mãe. – comunicou a colega.
- Ela não é minha mãe. Eu não a conheço. – disse Lara, limpando as lágrimas e virando as costas.
Passaram 2 semanas.
- “Querida Lara,
Muitas vezes eu penso como o meu pai se viraria no túmulo se soubesse da vergonha que eu trouxe ao nome da nossa família. Croft. O que esse nome significa? Eu espero que possas deixar a tua própria marca no mundo um dia. Lembra-te de que o extraordinário está no que fazemos e não em quem somos.”
- Destruir a fonte foi a coisa certa a fazer. – confortou, Jonah, a Lara.
- Ainda sinto que o dececionei. – explicou ela, pousando a gravação do pai e arrumando a mochila.
- Acho que ele teria feito a mesma escolha. – continuou Jonah – Vamos. O teu voo vai partir.
Lara tinha ouvido aquela última fita milhares de vezes. Mas era como se ela estivesse a entender as palavras do pai só agora. Não importavam as escolhas que ele tinha feito. Ela tinha de fazer as suas. O mito de Kitej era real. Haviam segredos lá fora que podiam mudar o mundo, e ela precisava de os encontrar. Não pelo seu pai, nem por mais ninguém. A Trindade ainda estava por aí, e eles eram mais poderosos do que ela alguma vez imaginou. Ela podia pará-los. Ela podia fazer a diferença. Ela podia fazer a diferença certa.



CAPÍTULO 2 – As serpentes que caminham
Na semana anterior Lara tinha regressado à mansão Croft e começado a investigar mais sobre Ana. Se, há uns tempos, haviam papéis por todo o lado sobre Kitej e a fonte divina, haviam agora muitos mais sobre a madrasta de Lara. Páginas soltas do seu diário, cartas e documentos. Várias coisas apontavam para uma nova aventura, num lugar bem diferente da gelada Sibéria: o México.
Lara encontrou várias cartas de amor entre o seu pai e Ana. Bem, se era amor ou não ela não sabia. Mas se não fosse, a Ana representava bem o papel de mulher perfeita. Tão bem quanto representava o papel de madrasta perfeita. Mas porquê? Em que momento ela tinha entrado para a Trindade? Em que momento ela começou a trair a família? Quando é que a Ana se tornou a vilã da história?
Lara percebeu que a relação entre Richard, o seu pai, e Ana era bastante aberta. Eles pareciam falar normalmente sobre traições e outras mulheres. Era como se fosse um casamento por conveniência. Aliás, nem um casamento era. Aquela relação sempre tinha sido tão falsa que nem um pedido de noivado houve. Como se Ana estivesse ali apenas pelo dinheiro e Richard apenas para poder dar uma mãe à filha. Era estranho. Mas sim, notava-se algum carinho entre os dois. Como se fossem amigos. Bons amigos.
Encontrou documentos e relatórios das suas antigas consultas com o psicólogo. Algo parecido com as gravações que tinha encontrado na Sibéria.1 Como é que Ana tinha acesso àquilo? Ela parecia realmente investigar cada passo da família Croft.
E as suas últimas palavras no hospital? “As serpentes que caminham”. Lara sabia bem do que ela falava. Só não sabia porquê. Fosse pela razão que fosse, o seu destino era o México. Então, aos papéis sobre Ana juntaram-se planos e mapas.
E lá estava ela, agora, no aeroporto, a despedir-se de Jonah.
- Eu sei que querias ir comigo, mas tenta entender-me. Já magoei muita gente com problemas que são só meus. Desta vez não. Desta vez eu vou sozinha. Desta vez tudo será diferente. – notificou ela.
- Sim, Lara. Desta vez tudo será diferente. Desta vez não vou insistir para ir contigo nem vou duvidar do que tu consegues fazer. Depois do que se passou na Sibéria eu não tenho dúvida nenhuma de que és mais do que capaz de ir sozinha nesta aventura. Até porque, aqui entre nós, eu não ajudei muito da última vez. – ria-se ele.
- Não digas isso, Jonah. – pediu – Ajudaste mais do que pensas. Acredita. Agora tenho mesmo de ir. Estou atrasada para o avião.
- Boa sorte! – abraçaram-se – E tenta voltar viva.
- Não te preocupes! Desta vez eu vou preparada. – sorriu, indo embora.
- Como se alguma vez tu estivesses desprevenida… - falava, Jonah, consigo mesmo, ao vê-la partir.


O avião levantou voo. Lara tinha acabado de sair de uma aventura e já se estava a meter noutra. No México. Quando lá esteve pela última vez tinha ido resgatar o seu amigo Grim, que tinha sido raptado. Foi lá que conheceu Letícia, líder de um gang chamado “Las Serpientes que Caminham”. E foi lá que descobriu que Grim não estava vivo. Tinham usado o seu irmão gémeo para pedir um resgate.2 Tudo pelo dinheiro. Letícia, essa mulher enganadora e oportunista. Mas o que teria tudo isto a ver com Ana?
Chegou no dia seguinte de manhã. Tinha pago a um motorista para lhe ir buscar ao aeroporto. Lara deu-lhe as coordenadas necessárias para encontrar Letícia, na esperança que ela ainda estivesse no mesmo sítio de antes ou, pelo menos, que alguém soubesse dela.
Entraram no meio de uma floresta e viam-se, por várias vezes, serpentes. O nome do grupo não era à toa. Lara estava confiante, mas nada seria como ela estava a pensar e a sua passagem pelo México seria bem mais curta do que o esperado.
1 Referência aos documentos de Rise of the Tomb Raider
2 Referência à HQ #16 (Dark Horse)



CAPÍTULO 3 – Foi tudo em vão
- Pode parar aqui. A partir daqui eu conheço o caminho. – pediu, Lara, ao motorista.
- Quer que eu fique aqui à sua espera? – inquiriu ele.
- Sim. Eu não devo demorar. – respondeu enquanto tirava uma moto da parte de trás da carrinha – Vou só dar uma volta por aqui à procura de uma coisa.
Lara montou-se no motociclo e acelerou em frente. Já fazia algum tempo que não conduzia, mas a agilidade continuava a mesma. Ela estava no caminho certo. Ela lembrava-se perfeitamente daquele lugar. Aqueles troncos, aquelas cascatas. Ela já tinha estado ali antes.1 Ela conseguia encontrar a quadrilha de Letícia de novo. 


Letícia tinha-se apresentado, da última vez, como uma ladra. Mas mais do que isso, como uma conhecida. Ela tinha conhecido o pai de Lara. Aliás, eles tinham tido uma relação. Ela era uma daquelas mulheres mencionadas no diário de Ana. Uma amante. No ano passado tinha contado a Lara como ela estava apaixonada por Richard. Como ela construiu planos na sua cabeça. E como ela tinha sido abandonada quando ele se foi embora. 1
O bando dela tinha raptado um amigo de Lara justamente por conhecerem a família Croft. Por conhecerem o dinheiro deles. Por saberem que poderiam ganhar muito dinheiro com um resgate. 1
Lara estava a chegar ao lugar onde o gang se reunia. Pelo menos, onde se reuniam da última vez. Já se começavam a ver algumas construções, mas nenhum sinal de humanos. Foi aí que começaram os tiros. Ela estava a ser atacada.
- Não façam isso! Parem! Eu vim em paz! – gritava ela, enquanto se tentava esquivar com a moto.
Os tiros atingiram os pneus e o veículo começou a arrastar-se no chão. Lara saltou e levou as mãos ao ar, como sinal de calma.
- Quem és tu? O que queres? – gritou um, do cimo de uma construção.
- Esperem. Eu já a vi antes. – disse outro.
- Sim, nós já nos vimos. – concordou Lara – Vim aqui porque preciso de falar com a Letícia. Ela conhece-me. Não vim como uma ameaça, nem estou armada.
- Vai-te embora. A Letícia não está. – informaram.
- Não está? Mas… Quando é que ela volta? Vim aqui de propósito para…
- Ela não vai voltar. – interrompeu.
- Ela abandonou-nos. Traiu-nos! – continuou outro deles – Agora sai daqui antes que acabemos contigo!
- O que aconteceu? Onde ela está? – insistiu Lara.
- E porque é que nós haveríamos de te ajudar? – aproximou-se um, sorrindo.
- Porque vocês são ladrões. – acenou ela, com um maço de notas na mão – E gostam de dinheiro.
- Vejo que já estamos a conversar como deve ser. – disse, tentando tirar o dinheiro da mão de Lara.
- Primeiro as informações. – desviou-se ela.
- Muito bem. A Letícia recebeu uma proposta que, aparentemente, era bem melhor do que continuar na rua como uma ladra. – informou - Ela juntou-se a um grupo qualquer. Uma organização. Não me lembro do nome, mas acho que era…
- Trindade. – interrompeu ela.
- Sim! – gritou – Isso mesmo! Como sabes?
- E onde ela está agora? – franziu, Lara, a sobrancelha.
- Ela disse algo sobre ter uma missão qualquer no Peru. Antes de se ir embora estava sempre a esfregar na nossa cara a vida melhor que estava prestes a ter.
- No Peru. Mas o que é que… Em que lugar do Peru?
- Não sabemos. A missão era secreta. Aliás, a Trindade parece ser um grupo secreto.
- Mas porque é que ela foi convidada para lá? O que é que…
- Já te dissemos o que sabíamos. – interromperam – Agora o dinheiro.
Lara atirou-lhes o prometido e virou costas. Nesse instante um dos homens agarrou-a por trás e tentou sufoca-la.
- Aposto que tens aí mais dinheiro! – ria outro homem, enquanto a apalpava.
Esse levou um pontapé, o outro uma cotovelada. Tirou uma faca do bolso traseiro e atirou-a à garganta de um que vinha a correr com uma pistola.
1 Referência à HQ #16 (Dark Horse)



CAPÍTULO 4 – A aventura começa


Arrancou a arma da mão dele e começou o tiroteio. Ela abrigou-se atrás de umas ruínas e começou a eliminá-los um a um. Quando estavam todos abatidos, Lara tomou a liberdade de dar uma vista de olhos nas construções onde eles moravam.
Haviam, de certeza, pistas sobre a nova agente da Trindade, Letícia. Ela não podia ter abandonado a quadrilha e levado tudo consigo. Tinha que ter deixado alguma coisa para trás. Aquele lugar era como um mini bairro. Haviam várias construções, que serviam como casas. A mais alta seria, certamente, da líder.
Lá dentro estava praticamente tudo vazio. Havia bastante lixo, mas algo chamava a atenção no meio de tanta desarrumação. Havia uma mesa, bem velha, com um papel lá. Era uma carta da Trindade.
“Cara agente,
Foi selecionada para uma missão secreta na próxima semana, nas montanhas de Hayu Marca, no Peru.
Na segunda de manhã um helicóptero vai estar pronto para levá-la até à sua primeira missão. Leve tudo o que precisar, não vai voltar ao México. Vai, como combinado, viver com outros agentes com todo o luxo a que tem direito. Boa sorte.
O diretor.”
- Isto parece recente – pensava Lara – Ela ainda deve estar lá! Então ela é nova na Trindade. Só entrou depois do que aconteceu na Sibéria? Eu preciso de encontrá-la.
- Demorou mais do que eu estava à espera. – disse o motorista, ao vê-la regressar – Onde está a moto?
- Bem, a moto não está... Aqui tem dinheiro suficiente para comprar outra. – ofereceu – Agora leve-me ao aeroporto de novo, por favor.
De volta à mansão, Lara contou tudo o que descobriu a Jonah e, quando ele achava que ela ia finalmente parar um pouco e descansar, ela começou a preparar tudo para uma viagem ao Peru. Desta vez ela ia mais preparada. Armada. Ia encontrar, seguramente, vários agentes da Trindade.
Chegou lá ao fim da tarde. Uma guia turística, Anaya, esperava-a perto do aeroporto.
- Ouça, eu sei que deve ter um programa turístico qualquer, mas eu preciso urgentemente de chegar às montanhas de Hayu Marca. – explicou Lara.
- O quê? Mas isso é muito longe, senhora. – surpreendeu-se a mulher.
- Nós podemos abastecer várias vezes pelo caminho – sugeriu, tirando um maço de notas do bolso.
- E essas armas são para quê? – perguntou – Não tínhamos combinado nada disto. Não gosto de…
- Como já disse, é uma situação urgente. Devíamos pôr-nos a caminho. – insistiu, tirando outro maço de notas do bolso.
Anaya acabou por aceitar e várias horas depois já estavam a chegar ao destino. Era de madrugada. Subiram a montanha e o jipe parou pela primeira vez em quilómetros. Não havia ninguém à vista. Lara saiu do carro e mirou à sua volta. Não conseguia ver ninguém. Nenhum sinal da Trindade. No entanto, ela estava lá.
- Apanhem-na. – sussurrou uma voz feminina, que espreitava bem de longe.
Surgiu, então, uma bomba de fumo que soltou um gás perturbador. Tudo começou a girar. Tudo começou a ficar escuro. Tudo se apagou.



CAPÍTULO 5 – Não correu bem
Lara acordou sentada numa cadeira com as mãos presas. Na sua frente estava ela. Ali mesmo. Letícia. Estava bem diferente desde a última vez que se tinham visto.1 Estava maquilhada, com roupa nova. Toda equipada e armada. O seu cabelo negro e rebelde estava agora liso. Ela tinha realmente subido na vida. Passou de ladra de rua a agente da Trindade. Mas Lara ainda não podia vê-la. Para além das mãos amarradas ela tinha um saco na cabeça.
-Não mudaste nada desde a última vez que nos vimos, Lara.1
- Letícia? Eu…
- Nada mesmo. – interrompeu.
- Não me lembrava de ti tão engraçada. – continuou Lara – Se não me vais tirar este saco da cabeça falo contigo assim mesmo. A Ana…
- O que é que tem a Ana? – gritou, puxando o saco bruscamente.
- Tu estás… diferente. – surpreendeu-se ao vê-la.
- O que é que vieste aqui fazer? – sentou-se numa cadeira em frente.
- Eu só vim procurar respostas, Letícia. Não vim com guerra declarada. – explicou.
- Queres respostas? Muito bem. Começa com as perguntas.
 - Porque é que entraste para a Trindade?
- Porque me convidaram.
- Porque é que te convidaram?
- Porque eu conheço bem os Croft.
- E porque é que eles precisam de um agente que conheça bem os Croft? – continuou Lara.
- Porque a tua família sempre foi e ainda é um obstáculo para eles. Aliás, um obstáculo para nós.
- A missão em que estás tem alguma coisa a ver com a minha família?
- Estou cansada de responder. – levantou-se Letícia – Agora vamos fazer ao contrário. O que é que estavas a dizer sobre a Ana?
- Já deves saber que ela está morta.
- Sim, eu sei. – sorriu.
- As últimas palavras dela foram “As serpentes que caminham”. O nome do teu grupo de ladrões. – explicou ela.
- E tu vieste aqui para descobrir o que ela quis dizer, não foi? – adivinhou Letícia.
- Isso.
- Lamento, não te sei ajudar.
- Se ela te disse aquilo é porque te conhecia!
- Sim, nós conhecíamo-nos. Não sei se já percebeste, mas a Trindade tem estado sempre a vigiar-te. A observar cada passo teu. Quando estiveste no México o ano passado eles souberam.1 Eles sabem tudo. Desde essa altura que estava pronta para me juntar à Trindade. Vieram aqui e quiseram-me na equipa deles. Não pensei duas vezes. Treinei o meu corpo, a minha mente. E aqui estou hoje.
- E a Ana… - insistiu Lara.
- A Ana já estava na Trindade desde essa altura. – continuou – Na verdade, ela já lá estava há anos. Ela comportava-se como se mandasse em todos. Ela e o irmão. Mas na verdade eu mandava tanto quanto ela. E quando a conheci não hesitei em atirar-lhe à cara o facto de me ter envolvido com o marido dela. Por isso sempre nos odiámos. Pelo teu pai.
- E porque é que a Ana me falou de ti antes de morrer?
- É muito simples, Lara. Ela quis que tu me encontrasses para te vingares de mim. Por eu ter sido uma amante do Richard. Por eu sempre ter sido uma inimiga dela na Trindade. Por eu ser uma inimiga tua também. É como se ela quisesse dizer “Eu morri, mas a Letícia não se vai ficar a rir”.
- Isso não faz sentido. E esta missão no Peru? É o quê? – irritou-se Lara.
- Lara, caso não tenhas percebido a Trindade é uma organização secreta. Esta é uma missão secreta. Nem devias saber que estamos aqui. Como descobriste?
- Fui até ao México à tua procura. Encontrei lá uma carta da Trindade. – respondeu ela.
- Só há uma maneira de saberes o que estamos aqui a fazer. – continuou Letícia - Junta-te a nós. Junta-te à Trindade. Eles sempre te quiseram do lado deles. E tu sempre foste idiota ao ponto de nunca aceitar.
- Eu... A… Eu aceito.
1 Referência à HQ #16 (Dark Horse)



CAPÍTULO 6 – Chamada com o diretor
- Aceitas? – surpreendeu-se Letícia.
- Eu quero entrar para a Trindade, Letícia.
- Se estás a fazer isto só para eu te soltar…
- Não estou. – interrompeu – Eu quero ser agente da Trindade. O que eu tenho que fazer?
- Tens de… Eu tenho de falar com o diretor. – explicou ela.
- E quem é esse diretor?
- Vais descobrir se mereceres.
- Onde está a Anaya? – perguntou Lara.
- Aquela que estava contigo ao lado do jipe? Deixámo-la ir embora. Não nos serviu para nada. – explicou.
Letícia chamou dois agentes que ficaram de olho na Lara enquanto ela contactava o diretor da Trindade.
- Eu conheço-te de algum lado. – afirmou Lara ao olhar para um deles.
- Pensa mais um pouco. Aposto que te consegues lembrar. – sorriu ele, pendurando uma caneta no bolso da camisa.
- O enfermeiro! Mas o que é que…
- Muito bem!
- Mas o que é que um agente da Trindade fazia como enfermeiro num… Espera… Eu conheço-te! Tu entraste na mansão e roubaste o livro.1 Eras tu! Tu…


- Eu matei a Ana. Fui eu que lhe dei o tiro na Sibéria. Disparei e vi-a cair no chão. Morta, achava eu. Mas depois vi um helicóptero de urgência e segui-o no helicóptero da Trindade. Ela tinha sobrevivido ao tiro, então acabei o serviço no hospital. Vesti-me de enfermeiro e injetei uma droga no soro dela. Prazer, o meu nome é
- Mas porquê? O que é que…
- Porque é que achas que fazemos as coisas aqui na Trindade, Lara? – interrompeu ele – Porque o diretor manda. Ele mandou e eu fiz. É assim que funciona. Foi sempre assim. É simples.
- Prepara-te. Vais falar com o diretor. – entrou, Letícia, pela sala dentro.
Letícia preparou tudo para uma chamada de vídeo entre Lara e o diretor da Trindade. A hora tinha chegado. Pousaram um Tablet em frente a Lara e a chamada iniciou-se. Via-se uma mesa e uma cadeira com alguém sentado. Essa cadeira estava de costas para a câmara. Não se conseguia ver a identidade do diretor.
- Olá, Lara. Ouvi dizer que queres juntar-te a nós. Juntar-te à Trindade. – saudou ele.
- Eu… Eu não o conheço? Essa voz…
- Não me respondeste. – insistiu.
- Sim, eu quero entrar para a Trindade. Mas… – confirmou ela.
- E és capaz de me explicar o porquê? Depois de tudo? – continuou.
- Porque eu… Eu quero ter um propósito na minha vida. – explicava - Eu… Acho que fiquei obcecada em desvendar os mistérios do mundo. E a Trindade é o lugar perfeito para mim. Posso fazer isso, mas com todas as condições. Eu…
- Ou será que só queres ter mais informações sobre nós? Será que estou a falar com uma futura infiltrada? Quais são as tuas reais intensões? Porque confiaríamos em ti? – duvidou o diretor.
- Não. As minhas intensões são claras. Quero tornar-me uma agente da Trindade. E acho que tenho o que é preciso.
- Estás disposta a passar por um pequeno teste? Um teste que prove que estás do nosso lado.
- Sim. Eu faço. Qualquer teste. Qualquer coisa. O que for preciso. Eu faço. – concordou ela.
- Ótimo. Falamos muito em breve, nesse caso.
1 Referência a Rise of the Tomb Raider



CAPÍTULO 7 – O teste
Poucas horas depois Lara foi levada para um escritório da Trindade montado no Peru, bem perto da montanha. Ela estava prestes a enfrentar um teste para poder entrar na organização.
- Disseste que fazias qualquer coisa, certo? – perguntou Letícia.
- Sim. – respondeu – O que for preciso.
- Muito bem. Nesse caso boa sorte. – desejou, abrindo uma porta que as levaria ao teste.
Lara entrou e viu algo que lhe causou arrepios. Sam estava ali. Presa a uma cadeira, a chorar. Ao seu lado estava um agente com uma espessa estaca de madeira na mão.
- Ela é toda tua. – disse ele, atirando a estaca para Lara.
- SAM? – gritou Lara – Como é que… O que é que…
- Soltem-me seus filhos da puta! Soltem-me! – esperneava Sam.
- Talvez eu possa explicar o que se está a passar aqui, Lara. – aproximou-se Letícia.
- Estou à espera.
- Bem, resumindo: A Sam saiu da cadeia1 e juntou-se à Trindade. – contou ela.
- Ela… O QUÊ? Ela é uma de vocês?
- Sim. Pelo menos era até agora. Quando ela saiu da prisão1 estava com tanta raiva de ti que a Trindade teve de se aproveitar. Mais uma pessoa próxima da família Croft na nossa equipa. Foi o plano perfeito! – ria-se Letícia - Ela viveu contigo, ela sabia tudo sobre ti… Mas agora a própria Lara Croft quer juntar-se a nós. Já não precisamos desta japonesa irritante. Agora ela vai servir apenas como um teste.


- Sam, isto é verdade? – perguntou, segurando as lágrimas.
- Lara, eu…
- É VERDADE OU NÃO? – interrompeu.
- É.
- Como é que pudeste? Como??
- Deixa-me explicar. – pediu Sam – Quando eu fui presa tu não quiseste saber de mim. Não acreditavas que eu estivesse inocente. Não pagaste a fiança. Nunca me foste visitar. Tu…
- Sam, tu não estavas bem. Não estavas normal. Eu não paguei a fiança porque não tinha dinheiro, tu sabes. Eu fui visitar-te uma vez. E tu disseste que nunca mais me querias ver. Além disso os teus médicos não gostavam de visitas… – explicou Lara.
- Tu prometeste que ias arranjar uma maneira de me tirar dali.1 Lembras-te? – continuou Sam - Disseste que não me ias deixar. À primeira oportunidade foste viajar. Mais uma aventura, não foi? E eu a apodrecer na prisão. A Trindade ajudou-me. Tiraram-me dali. Em troca só tive de me juntar a eles.
- Não quero ouvir mais nada… Afinal o que eu tenho que fazer neste teste? – perguntou, levantando a estaca do chão.
- Usar essa madeira e espancá-la até à morte. – respondeu um dos agentes.
- Eu… Eu… - gaguejava Lara – Eu… Vai ser fácil.
Letícia voltou a pousar o Tablet numa mesa e iniciou uma chamada de vídeo com o diretor. Desta vez ele estava com a câmara desligada. Ele ia assistir ao teste.
- Desculpa. – sussurrou Lara ao erguer a arma.
A primeira bofetada foi a que custou mais. As lágrimas caiam dos olhos de Lara e o sangue saía do nariz e da boca de Sam. Uma atrás da outra. Lara não parava. Cada vez lhe batia com mais força. Ao sangue e lágrimas juntaram-se gritos de raiva (Lara) e dor (Sam).
1 Referência à HQ #18 (Dark Horse)



CAPÍTULO 8 – Estou na Trindade
- Chega. – mandou o diretor.
Lara travou imediatamente, ainda com a estaca de madeira levantada.
- Ela passou no teste. Ela está do nosso lado. Posso ver a raiva dela nos olhos. – continuou ele. – Preparem uma reunião. Ela vai entrar na missão no Peru.
A chamada foi desligada.
- Nunca mais me apareças à frente. – pediu Lara, limpando as lágrimas, enquanto Sam era levada dali por dois agentes.
- Ias mesmo matá-la? – perguntou Letícia ao ficarem sozinhas.
- Eu… Não sei.
- Parecias estar a bater-lhe com vontade.
- Talvez estivesse. Não acredito que ela se juntou à Trindade.
- E tu também acabaste de te juntar, lembras-te?
- Sim. Diz-me, Letícia. Há quanto tempo é que estás na Trindade?
- Como te disse, desde que estiveste no México o ano passado1 que eu fui convidada. Andei por aí com eles a ver como tudo funcionava. Estive meses a observar tudo. Sei muita coisa. Mas esta é a minha primeira missão. Foi só agora que abandonei o México definitivamente. – explicou.
- E a Ana? Porque é que a mataram? Ela pertencia à Trindade. E eu já soube que foi o diretor que a mandou matar. – continuou Lara.
- Talvez eu tenha ajudado um pouco. Eu estava sempre a fazer queixa dela. Sim, talvez fossem ciúmes do teu pai. Mas eu odiava-a. Aliás, nós odiávamo-nos. Quando soube que ela tinha traído a Trindade fiz questão de me mostrar indignadíssima na frente do diretor. Mas ela seria castigada de qualquer forma. – contou.
- Mas ela traiu-vos como?
- Nós tínhamos um objetivo em comum. Todos nós. Descobrir a verdade sobre a imortalidade. Guardar esse segredo connosco e usá-lo no que fosse necessário. Dominar o mundo. Mas ela usou a fonte divina para proveito próprio. Ela e o irmão. Ela quis ser imortal porque estava às portas da morte. E o irmão, Konstantin, queria ser líder de um exército imortal.
- Ela nunca aceitou aquela doença. Sempre a vi revoltada por causa daquele cancro de fígado. Mas nunca imaginei que ela fosse capaz de fazer o que fez. – desabafou Lara.
- Eles sempre enganaram a Trindade. – continuou Letícia – A Ana foi recrutada há muito tempo. Aproximou-se do teu pai por interesse desde o início. Conheceram-se numa conferência onde ele tinha sido humilhado.2 Ele era sempre humilhado, em todo o lado. E a Ana aproveitou-se disso. Fez-se de amiga. Fingiu-se de interessada nas histórias dele… E ela usou as marcas na mão do irmão para fazer o diretor acreditar que ele era o escolhido de Deus. Foi assim que arrastou o irmão para a Trindade também.2 Até hoje me pergunto o que seriam aquelas marcas na realidade.
- De uma forma ou de outra, a Ana fez o meu pai feliz. Eu não podia odiá-la por isso. E eu sei o que eram aquelas marcas. – afirmou Lara – A Ana fez-lhe aquelas feridas quando eram crianças. Ela diz, no seu diário, que o salvou dessa maneira. Que lhe deu um propósito na vida. Eu acho que ela sempre foi louca. E com a doença ficou pior.
- Então foi isso! Ela é que lhe fez aquelas marcas! – surpreendeu-se - E usou isso para entrarem os dois para a Trindade. Ela nunca me enganou. Eu não presto, mas ela é bem pior. Ela foi bem pior…
- E esta missão no Peru? É o quê? – mudou, Lara, de assunto.
- Vamos ter hoje uma reunião sobre isso. Vais descobrir. Mas duvido que gostes da ideia.
- Porquê?
- Não te posso dizer nada. Depois vais ver. Agora tenta descansar. Serei uma amiga aqui. Mas só enquanto tu fores também. – informou Letícia.
- Vou tentar esquecer quem tu és. Quem tu foste. O que fizeste. Agora somos colegas. – sorriu.
Lara desmanchou o sorriso assim que Letícia abandonou o lugar. Lara correu para o telemóvel e contactou Jonah. Ele tinha que saber o que se estava a passar. O que tinha acontecido. O que ela tinha feito.
1 Referência à HQ #16 (Dark Horse)
2 Referência aos documentos de Rise of the Tomb Raider  



CAPÍTULO 9 – Telefonema difícil
- Jonah, preciso de te contar uma coisa. – começou ela, quando atenderam a chamada.
- Lara? Estiveste a chorar? O que se passa? – perguntou, confuso.
- Eu não sei como te dizer isto mas… Eu… Eu entrei para a Trindade. – contou.
- Tu o quê? Não brinques. O que se passa?
- Não estou a brincar, Jonah. – chorava – Só te peço que confies em mim, por favor! Eu tinha que te contar isto. Entrei para a Trindade.
- Mas o que é que…
- Ainda não acabei. – interrompeu, soluçando – Para entrar, eu tive de fazer um teste e eu…
- Lara, tu estás bem?
- Eles trouxeram a Sam. Ela estava com eles, Jonah. A Sam estava com a Trindade. Eles meteram-na aqui em poucas horas. Eles fazem tudo tão rápido… Eu nem pude…
- A Sam? Lara, tu…
- Eu tive de fazer o teste, Jonah. Eu tive de espancar a Sam. Eu quase a matei, Jonah! – gritava ela, inundada em lágrimas.
- Lara, o que é que estás a dizer? – gritava Jonah do outro lado – Tu não estás bem. Não estás a dizer coisa com coisa. Tu…
- Jonah, só quero que confies em mim. E que me desculpes por qualquer coisa.
- Chega. Isto não é normal. Quando é que voltas a Londres? Vou ligar ao psicólogo. Tu precisas de falar com ele de novo. – afirmou – Eu sabia que não estavas pronta para mais emoções. Ele dizia-te o mesmo, eu…
- Não, Jonah! Não… Eu não estou louca, se é o que estás a pensar! Por favor não faças nada. Por favor… Eu tenho que desligar, adoro-te. E desculpa.
- Lara, não…
Ela desligou o telemóvel e caiu de joelhos ao chão, com a dor do que tinha feito a Sam. Com a dor de ter entrado para a Trindade. As lágrimas pareciam não ter fim. Nesse instante Letícia entrou:
- Vejo que não estás muito segura do que fizeste.
- Eu estou! – levantou-se e limpou as lágrimas – Mas não vou mentir. Custa-me mudar de lado tão rápido.
- Recompõe-te. A reunião vai começar. – informou Letícia.
- Mas já? Eu pensei que pudesse dormir um pouco antes de…
- Na Trindade não há tempo para dormir. Vamos.
- Vocês montam uma sala de reunião em qualquer país? Tão rápido?
- Salas de reunião, de interrogatório, de sequestro… O que for preciso. – informou, enquanto andavam.
- Que eficazes. E quem vai participar nesta reunião? – continuou Lara.
- Todos os agentes que estão envolvidos nesta missão. Não te preocupes. Não são muitos.
- Estou a morrer de sono. Já estamos a meio da tarde e ainda não dormi. – protestou Lara.
- Pensei que fosses mais forte do que isso…
Entraram numa sala com uma grande mesa, cheia de agentes. Seria de se esperar que, ao fundo, estivesse o diretor. Mas não. Nem o Tablet do costume lá estava. Parecia uma reunião apenas entre agentes. Na verdade, os agentes que já estavam na missão iam explicá-la à nova colega, Lara Croft. Sentaram-se.



CAPÍTULO 10 – A reunião
- Então, quem vai começar a falar? – perguntou um dos agentes.
- Acho que posso ser eu. A Lara já me conhece. Pode sentir-se mais à vontade comigo. – ofereceu-se Letícia.
- Força. Nem sei porque estamos aqui todos. Não bastava alguém explicar-lhe a missão? – disse outro.
- Se tens alguma reclamação fala com o diretor. – sugeriu Letícia – Além disso, a Lara não é uma agente qualquer. Ela tem tudo para ser a nossa melhor agente. Ela já derrotou vários de nós. Com um simples arco e algumas flechas, não é verdade? Já para não dizer que, na minha opinião, qualquer novo agente deve ser apresentado aos colegas de missão.
- Parem com rodeios. Afinal o que é esta missão e o que é suposto eu fazer? – irritou-se Lara.
- Lara, nós estamos aqui a investigar uma lenda. – explicou Letícia – A lenda de Aramu Maru. Já ouviste falar?
- Eu acho que…
- A lenda diz que, quando os espanhóis invadiram o Peru e começaram a roubar o ouro e pedras preciosas das tribos Incas, um sacerdote local, esse tal Aramu Maru, fugiu do seu templo com a ajuda de um “disco dourado”. Bem, de alguma forma ele alcançou as montanhas de Hayu Marca.
- Que é onde estamos agora. – interrompeu.
- Exato. Diz-se que ele realizou um ritual que fez com que “a porta se abrisse e dela saísse uma intensa luz azul”. – continuou - Ele entrou e deixou o disco para trás. Nunca mais foi visto.
- Uma porta? Como assim?
- Ia explicar-te isso agora. Seria ótimo se parasses de me interromper. Então… O homem entrou na chamada “porta dos deuses”, bastante conhecida aqui na zona. Ele acreditava que essa porta o levaria ao mundo dos deuses. É uma espécie de cova no meio das rochas. Parece mesmo uma porta. Vê com os teus olhos. – pediu, colocando uma fotografia em cima da mesa.


- Eu já vi isto antes! – entusiasmou-se Lara - Quando aqui cheguei, antes de vos encontrar! Estava…
- Sim, Lara. Nós já a encontramos. O problema não está aí. O problema está em abrir essa porta. Ainda não descobrimos como o fazer. E tu sabes que as lendas são baseadas em alguma versão da verdade.
- Aprendi isso da pior forma, mas…
- Essa “porta” é demasiado antiga para ter sido feita por humanos. E tem uma forma bastante invulgar para ser natural, não achas? Há relatos da imprensa que dizem que arqueólogos, pesquisadores e curiosos que visitaram o local, atraídos pelas lendas, disseram ter tido visões de luzes, túneis e estrelas no interior das estruturas e alguns dizem ter ouvido “uma estranha música”.
- Esses depoimentos não podem ser levados a sério. – disse Lara.
- Nós concordamos contigo. Mas não deixam de ser interessantes. – terminou Letícia.
- Muito bem. E vocês querem abrir essa porta porquê? Só para terem o mistério desvendado?
- Essa é a melhor parte, Lara! – sorriu Letícia – A Trindade acredita que essa porta não vai dar ao mundo dos deuses. Essa porta pode servir para viajar no tempo. Fizemos várias pesquisas. Há quem diga que pode entrar-se na porta a pensar numa data específica e que se viaja para lá. Passado ou futuro.
- E a Trindade quer viajar no tempo para quê? – insistiu Lara.
- Lemos que essa porta só funciona uma vez a cada 500 anos. E só funciona de dia, por alguma razão. Acreditamos que nunca ninguém a conseguiu abrir depois daquele sacerdote. – informou um agente - Ou seja, só temos uma oportunidade. Tudo tem de correr como planeado. Porque nenhum de nós vai viver 500 anos para fazer uma segunda tentativa.
- Mas vocês estão a falar do quê? O que pretendem com isto? – confundiu-se.
- Mas não é óbvio, Lara? Nós queremos abrir a porta dos deuses para voltar atrás no tempo e recuperar a fonte divina. – ria-se Letícia.



CAPÍTULO 11 – Vamos a isso
- O quê?? – quase se engasgou.
- Lara, a Trindade passou anos à procura da fonte divina. Não achavas que íamos desistir tão facilmente, pois não? – continuou ela.
- Mas estão a pensar voltar no tempo como? Para quando? – confundiu-se.
- Qualquer data antes de tu teres partido a fonte serve, não achas? Até podemos voltar anos atrás e recuperar o tempo perdido. Agora já sabemos onde a fonte sempre esteve. E se voltarmos tempo suficiente tu serias apenas uma criança e nunca nos conseguirias impedir. – explicou Letícia – Já agora, não estás a pensar partir a fonte de novo, pois não?
- Desta vez eu estou do vosso lado. Podemos voltar só umas 3 semanas atrás. – sugeriu Lara.
- Como te dissemos, só temos uma oportunidade. Bem, a reunião acabou. Voltem às vossas funções. Vou explicar à Lara o que ela deve fazer. – encerrou Letícia.
- Disseste que a Ana e o Konstantin achavam que mandavam mas parece que estás a fazer o mesmo. – sussurrou Lara.
- Bem, na verdade o diretor elege alguns agentes como líderes de missão. A Ana e o Konstantin lideravam na Sibéria. Eu tomei a liberdade de mandar um pouco aqui, já que ninguém elegeu nenhum líder.
Lara e Letícia ficaram sozinhas na sala de reuniões.
- Quando é que eu vou conhecer o diretor? – perguntou Lara – Tive uma sensação estranhíssima quando ouvi a voz dele. Como se…
- Conhecê-lo pessoalmente? – interrompeu Letícia – Mais da metade de nós nunca o conheceu. Ele controla tudo, mas bem longe daqui.
- Não tem de ser pessoalmente. Quando é que eu vou poder ver a cara dele? Eu conheço aquela voz… Eu tenho a certeza… Ele tentou disfarçar, mas…
- Isso eu não sei. Alguns de nós nunca o vimos. Ele raramente sai de onde está. – explicou.
- E tu já o viste? – insistiu – E onde ele está? E porque é que ele raramente sai de lá?
- És bastante curiosa, Lara. Bem, como agora és uma de nós posso responder-te a tudo. Quase tudo. Sim, eu já o vi. E ele está longe. Bem longe… Na sede da Trindade. Todos os caminhos vão dar a Roma, Lara. Ele controla tudo a partir do Vaticano.2
- E como é que ele é? Ele…
- Acho que já são perguntas a mais. – interrompeu Letícia – Vais ter resposta para tudo, quando chegar a hora certa. Agora devíamos preocupar-nos com a missão, não achas?
- Essa missão… Passei por tanto na Sibéria para impedir a Trindade de chegar à fonte divina… E agora estou aqui, do lado deles, a tentar recuperá-la…
- Eu entendo o que estás a sentir. É estranho. Bem, agora vou estudar e pesquisar mais sobre a lenda da tal porta dos deuses. Eles querem mais arquivos, mais informações. Qualquer detalhe pode ser uma grande pista. Tu devias fazer o mesmo.
- Vou fazer isso. Não me vão dar um Tablet, um computador ou algo do género? – perguntou.
- Claro. Vem comigo, temos uma sala de pesquisa aqui perto.
- Eu só queria dormir!
- Quando acabarmos isto vais ter tempo.
Passaram algumas horas.
- Não aguento mais! – protestou Lara.
- O que foi? – perguntou um agente da secretária ao lado.
- Estou cansada de estar aqui fechada a pesquisar. Cada site, cada livro, cada artigo. Cada um com uma versão diferente da lenda… Nós temos a razão desta lenda aqui mesmo ao lado. Posso ir dar uma vista de olhos a essa tal porta? Ou a minha função resume-se a ficar aqui?
- Acho que não há problema. Mas vai armada. – aconselhou.
- Armada porquê? O que é que…
- Digamos que os nativos não estão muito contentes com a nossa presença aqui. Isto é quase sagrado para eles. Já para não dizer que estamos a fazer interrogatórios por aí. E talvez uma ou outra tortura.
- O quê? Não estás a pensar que eu vou matar os nativos, pois não? Eu… Eu vou lá fora. – disse ela.
Lara agarrou no seu arco e numa pistola e saiu do escritório. Ar puro lá fora. Começou a subir a montanha para observar melhor a “porta dos deuses”. A Trindade estava a espalhar o pânico e o terror nos arredores. Sequestros, interrogatórios, torturas, mortes… Tudo pela mínima pista. Lara estava, por outro lado, prestes a dar o primeiro passo para descobrir outro segredo do mundo.
2 Referência aos documentos de Rise of the Tomb Raider  



CAPÍTULO 12 – A chave dourada
Lá em cima havia alguns agentes que inspecionavam o lugar. Lara meteu-se, discretamente, no meio deles e aproximou-se da porta. Não teve qualquer visão ou alucinação, como alguns depoimentos diziam.
- Então? Já descobriram alguma coisa? – perguntou ela.
- Encontrámos um símbolo ali atrás. Vem, eu mostro-te. – respondeu um deles.
- Isto é escrita Inca! – afirmou ela ao ver os símbolos na pedra. - Pode ser uma pista! Já tentaram…
- Já interrogámos alguns nativos sobre isto. Não parecem querer ajudar. – informou.
- Vou tentar uma coisa.
- Tentar o quê? – apareceu Letícia.
- Letícia? Eu vou… Lembras-te da guia turística que me trouxe aqui? Vou tentar que ela traduza este símbolo. – explicou Lara.
- Muito bem. É bom ver-te a querer ajudar.
Lara afastou-se um pouco. Ela ainda tinha o contacto de Anaya, a guia turística. Iniciou uma chamada.
- Anaya? É a Lara. Quero pedir-te desculpa pelo que aconteceu na montanha. Espero que estejas bem.
- Lara? Porque me ligaste? Não quero ter nada a ver contigo! Tu metes-te com gente perigosa! Eu meti a minha vida em risco! – exaltou-se ela.
- Não! Espera, não desligues! – pediu Lara.
- Esse grupo que se instalou aí está a assustar tudo e todos. Eles andam armados, ameaçam as pessoas. Já ouvi histórias de pessoas que foram sequestradas, torturadas e até mortas! Por favor finge que nunca me viste! – continuava.
- Espera! Eu sei como tirá-los daqui de uma vez por todas. Mas preciso da tua ajuda.
- Tu estás com eles! Queres informações como eles! És só mais uma!
- Não, eu não estou com eles! E sim, quero informações. Mas não vou ameaçar nem torturar ninguém por isso. – explicou Lara - Ouve-me! Eu sei como fazê-los ir embora. Só preciso que me digas o que sabes sobre a “porta dos deuses”.
- Lara, essas montanhas não fazem parte de nenhum dos meus programas turísticos. Lamento.
- Mas não precisam de fazer! Qualquer pessoa daqui deve conhecer aquela lenda. Por favor diz-me que sabes ler escrita Inca!
- Eu não moro aí, lembras-te? Pagaste-me para te levar.
- Mas moras no Peru! Deves saber ler algumas palavras em Inco, não? Ou pelo menos saber o que significam em alguns monumentos. – insistiu.
- Sim, Lara. Eu sei. Diz lá o que queres. Rápido. – pediu.
- O que está escrito perto da “porta dos deuses” na pedra? – perguntou Lara.
- Ah, essa inscrição é famosa. Significa “Chave Dourada”. É isso que está escrito. Ninguém sabe porquê. Agora deixa-me em paz e tira essas pessoas daí!
- Chave dourada? Mas… Anaya? Anaya??
- Então, conseguiste alguma coisa? – apareceu Letícia, quando Lara desviou o telemóvel do ouvido.
- Letícia? Só me apareces de surpresa. Ela… Não! Ela não… Ela não sabia nada sobre nenhum símbolo aqui nas montanhas. E eu insisti bastante…



CAPÍTULO 13 - Devaneios
- Que pena.
- Deixa-me fazer-te uma pergunta. Vocês não estipulam turnos ou horários? Estou cansada, quero dormir. – protestou Lara.
- Realmente já não dormes há bastante tempo. Ninguém consegue desvendar mistérios com sono, não é? Vai para os dormitórios e dorme. É simples.
- Dormitórios? Vocês literalmente instalam-se em todo o lado. – surpreendeu-se.
Lara não pensou duas vezes e desceu a montanha, em direção aos dormitórios. Deitou-se num colchão e adormeceu quase instantaneamente.
- Lara… - sussurraram.
- Lara, acorda…
Ela levantou-se. Já não estava nos dormitórios da Trindade. Agora estava na mansão Croft. Ouviam-se vozes, barulhos e ruídos estranhos.
- Lara… - chamavam.
O símbolo da Trindade aparecia por toda a parte. Nas paredes, janelas, tetos, em todo o lado.
- Eu… Eu aceito. – ouvia-se.
- O que é que está a acontecer? – confundia-se ela.
Ao caminhar pelos corredores da mansão ela observava folhas a voar. Documentos e páginas do diário de Ana. As janelas abriam e fechavam. As portas rangiam.
- Lara…
Um telefone começou a tocar. Tocava de forma contínua e perturbante. Doía-lhe a cabeça. Tudo andava à roda.
- Tu não estás bem... bem… bem… – ouviu-se.
- Vou ligar ao psicólogo. Tu precisas de falar com ele de novo… novo… novo… - ecoava ao longe.
- Eu sabia… Não estavas pronta para mais emoções… - continuava.
- Jonah?? – chamou ela.
- Ele dizia-te o mesmo...

- Lara!!!
- Pai??
- Algum dia… Tu vais entender… - sussurrou outra voz.
- O que é que… Não… Eu… Eu tenho de estar a…
- Tu prometeste que ias arranjar uma maneira de me tirar dali - gritou outra.
- Disseste que não me ias deixar… deixar… deixar…
- Sam?
- À primeira oportunidade foste viajar. Mais uma aventura, não foi? Não foi??...
- A Trindade ajudou-me. Em troca só tive de me juntar a eles… juntar a eles… juntar a eles… - ecoava.
De repente tudo ficou azul. Tudo brilhava. Era a fonte divina. Ela estava por ali.
- Ana, não!!
- A Trindade ordenou a execução dele... dele… dele…
- Tu matas-te o meu pai, não foi? – ouviu-se.
- Lara? Só quero que saibas que no pouco tempo em que estivemos juntas, eu amei-te. – disse a voz mais doce de todas.1
- MÃE?? Não… Não pode ser… Eu…
- Foi pela morte da tua mãe que eu comecei a pesquisar sobre a origem da vida… vida… vida…1
- Pai? Eu… O que é que…
- Amélia… - sussurraram.
Ouviu-se um barulho. A fonte divina tinha-se partido. Lara tinha-a partido.
- Em todos os meus anos, eu conheci poucas pessoas tão extraordinárias como tu… tu…
- Lembra-te de que o extraordinário está no que fazemos, e não em quem somos…
- Quando estiveres pronta, abre os teus olhos…2
- Disseste que os flashbacks pararam…2
- Nós tornamo-nos em quem devemos ser… ser… ser…
Todas as vozes foram ficando mais baixas, mais distantes. As paredes da mansão foram-se apagando e tudo foi escurecendo. Lara acordou no meio de um pulo, completamente suada. Claro, um sonho. Tinha que ser.
- Estavas aos gritos. – disse Letícia, que a observava, de braços cruzados, no canto da cama.
- O que é que eu gritei? – assustou-se Lara.
- Nada que te prejudique, por enquanto.
- Que horas são? Quanto tempo eu dormi? Eu…
- Dormiste o resto da tarde de ontem e toda a noite. Agora é de manhã. Tens de voltar ao trabalho. – explicou ela.
- Claro. Estou pronta. Só preciso de um banho e…
- Não tenho boas notícias para ti. Não temos como tomar banho aqui.
- Têm dormitórios, salas de reunião, de interrogatório, escritórios e não têm uma simples casa de banho? – surpreendeu-se.
- Estamos a demorar mais do que o previsto aqui, Lara. Isto não deveria estar a demorar tanto. É por isso que temos de voltar ao trabalho. Mas tenho uma boa notícia. Não vais ter de usar essa roupa suja. Tens ali os uniformes da Trindade. – apontou Letícia. – Despacha-te. Tens comida enlatada naquelas gavetas para o pequeno almoço. Mas não abuses, tem que durar.
Já vestida, equipada e alimentada, Lara voltou a subir a montanha, para continuar o trabalho do dia anterior. Ao equipamento dado pela Trindade ela juntou o seu clássico arco e machado.
1 Referência aos documentos de Rise of the Tomb Raider  
2 Referência trailer de anúncio de Rise of the Tomb Raider (com o psicólogo)  



CAPÍTULO 14 – O templo
- Alguma coisa está a falhar. – desabafavam os agentes – Tem de nos estar a escapar algo nesta lenda…
- Eu estive a pensar numa coisa. – chegou Lara – A única coisa que nos falta no meio de toda a lenda e que aparece em todas as versões. O “disco dourado”.
- O disco? E tu chegaste a essa conclusão como?
- Aqueles símbolos na pedra. Significam “chave dourada”. O disco deve ser a chave da porta dos deuses. – explicou Lara.
- Mas como é que…
- Os espanhóis levaram tudo na invasão. O disco foi a única coisa que sobrou aos Incas porque ficou aqui nas montanhas. O disco dourado passou a ser o seu único tesouro. Eu acredito que eles o guardaram no templo do sacerdote para o proteger. – continuou ela.
- E onde fica esse templo? – apareceu Letícia.
- Fiz umas pesquisas e encontrei algo que se encaixa perfeitamente nas histórias. Um templo em Machu Picchu.  Eu posso ir investigar. Só preciso de um helicóptero e…
- Achas mesmo que vais sozinha? Vou preparar uma equipa e um piloto para irem contigo. Espero que valha a pena. É bom que esse disco esteja ali.
- Eu consigo fazer isto sozinha. Eu… Eu estou habituada a trabalhar sozinha. – insistiu.
- Lara, a Trindade ainda não confia em ti o suficiente. Lamento.
Pouco tempo depois Lara já estava num helicóptero com destino a Machu Picchu. Fora o piloto, haviam mais dois agentes da Trindade. Se encontrassem algo importante, tinham ordens para avisar o resto dos agentes.
- Eu acho que é aquilo! – apontou Lara ao ver um templo Inca.


Toda a vegetação à volta voava com o pouso do helicóptero. O templo estava ali, grandioso, a aguardá-los. O piloto ficou para trás. Lara e os dois agentes subiram a construção completamente abismados com a sua beleza. Não havia ninguém nas redondezas. No topo não encontraram nenhum tipo de entrada. Estava completamente selado.
- Ainda bem que trouxemos explosivos. – sorriu um deles.
- O quê? Vamos rebentar com a entrada? Mas…
- Alguma ideia melhor, Lara?
Montaram os explosivos e afastaram-se. Abriu-se uma entrada. O templo estava, agora, instável, devido à explosão. Quando entraram, pelo topo, foram surpreendidos por uma armadilha. O chão abriu-se e os três caíram. Lara, no meio da queda, conseguiu lançar o seu machado arpéu e salvar-se.
Olhou para baixo. Os “colegas” estavam mortos. Era uma grande altura. Ela foi descendo devagar com a corda, até que esta não podia esticar mais. Soltou o machado e caiu de uma altura relativamente alta. Rebolou no impacto com o chão. Ali estava ela. No templo do sacerdote. Havia um corredor na sua frente. Ali estava o disco dourado. Era difícil acreditar que mais uma lenda no mundo era real.
- Daqui fala o diretor. Encontraram o templo? – surgiu uma voz, via rádio.
O som vinha do cinto de um dos agentes. Lara agarrou no rádio. Abriu a boca por um momento, mas teve outra ideia. Pegou na mochila que eles traziam e vasculhou-a. Tirou de lá um Tablet. Estava com a tela rachada, mas funcionava. Podia estar prestes a descobrir algo importante.
- Está tudo bem? Está alguém aí? Respondam! – chamava ele.
Quanto mais ouvia a voz do diretor mais tinha a certeza de que o conhecia. Ligou o Tablet e, claro, ele pediu a senha de acesso. Tinha de ser a mesma senha do computador que lhe tinham dado para pesquisar. Só podia. Ela tentou. “Novo Mundo”.
- Algo está errado. Os rádios devem estar estragados. – continuava o diretor.
O Tablet desbloqueou-se. Antes que tivesse tempo para ver qualquer coisa, recebeu uma chamada de vídeo. Era o diretor. Lara estava prestes a descobrir a sua identidade. Quem estava por trás da Trindade. Desligou a sua câmara e atendeu a chamada.
- Finalmente. Então, como vai a missão?
Lara ficou completamente incubada. Estática. Impossível. Os seus olhos só podiam estar a traí-la. Como é que podia ser ele? O diretor da Trindade? Durante todo este tempo?
- Porque é que não vos estou a ver? Liguem a câmara! – ordenou ele – O que se passa?



CAPÍTULO 15 – Foi sempre ele
Foi sempre ele. Em Yamatai2, na Síria, no México. Em todo o lado. Onde Lara estivesse. Nas consultas, nas sessões. Era ele. O psicólogo. A pessoa com quem ela expôs os seus traumas. Com quem ela desabafou. A pessoa a quem ela contou a vida toda. Uma pessoa que tinha frequentado a sua casa. Uma pessoa que lhe tinha ajudado. Agora tudo fazia sentido. Era assim que a Trindade tinha tantas informações da sua vida. Isto explicava a origem das gravações que ela tinha encontrado na Sibéria.1 A origem dos comentários de Ana.1 Agora fazia sentido. Parecia que todos à sua volta não passavam de infiltrados e pertenciam à Trindade. Quantos amigos Lara realmente teve?
- Merda, o que se passa? Respondam! – insistia ele.
Lara permaneceu em choque. Calada. Não se mexeu até o diretor desligar a chamada. Como era possível? Mais uma vez ela sentiu-se enganada. Usada. Sentimentos comuns nos últimos tempos. No que se tinha tornado a sua vida depois do acidente no Japão?2


Todas aquelas terapias. Não tinham sido verdadeiras consultas. Tinham sido entrevistas. Inquéritos. Com o único objetivo de conhecer melhor a vida de Lara. Aliás, o psicólogo tinha-a tentado influenciar várias vezes. A Ana acompanhou tudo de perto. Sempre escondida. Eles tentaram afastar Lara de Jonah. Incentivaram-na a continuar as pesquisas do pai. A levar a Trindade à fonte divina.1
Tentou recompor-se. Levantou-se e olhou em frente. Mais nada podia separá-la daquele disco dourado que estava a um corredor de distância. Deu meio passo e tudo tremeu. O corredor na sua frente começou a apertar. As paredes estavam a juntar-se.
Lara correu o mais rápido que conseguiu até ao disco. Agarrou-o. Era pesado. Maior do que ela imaginava. As paredes estavam prestes a esmagá-la. E isso só não aconteceu por um segundo. Ou por menos. Quase que os seus cabelos ficaram entre as paredes, de tanta sorte que teve.
E ali estava ele. O disco. Havia agora outro problema. Como sair dali? Lara estava praticamente enterrada naquele templo. A única saída era a entrada que tinham rebentado no topo. O machado arpéu nunca alcançaria aquela altura.
Lara não tinha outra alternativa. Lançou uma granada para perto de uma pilastra e abrigou-se atrás de umas ruínas. A explosão meteu o pilar abaixo e ela pôde escalá-lo. Viu, no meio de tanto pó, uma fresta de luz. Uma parede mais fraca já se estava a rachar. O templo estava prestes a ruir. Ela tinha de sair dali. Agarrou no seu machado e começou a partir uma saída.
Quando tinha aberto uma passagem suficientemente grande, atirou-se lá para fora e desceu as escadas que lhe levavam para terra firme. Conseguia sentir o chão a tremer. A estrutura a cair lá dentro.
Correu para o helicóptero e explicou a morte dos dois agentes. Levantaram voo a caminho das montanhas, para finalmente abrir a porta dos deuses, voltar no tempo e recuperar a fonte divina. Pelo menos esse era o plano da Trindade.
1 Referência aos documentos de Rise of the Tomb Raider  
2 Referência ao primeiro jogo (Tomb Raider 2013)  



CAPÍTULO 16 – Saiam do meu caminho
Pousaram na base da montanha.
- É agora. – disse Lara, aproximando-se da frente do helicóptero e olhando para fora.
- O quê? – perguntou o piloto.
Antes que pudesse dizer outra palavra, Lara atravessou a sua faca na garganta dele.
- Porque é que a equipa enviada para o templo não me responde? – gritava o diretor via rádio.
- Eles não te respondem porque estão mortos! – gritou Lara para o rádio.
- Lara? Mas o que é que…
- Eu sei quem tu és! E vais pagar por tudo! – avisou ela, atirando o rádio pela janela.
Olhou, depois, ameaçadoramente, para o topo da montanha. Agarrou no seu arco e começou a subir. Lá em cima haviam vários agentes a policiar o lugar. Lara estava determinada a eliminar qualquer um entre ela e aquela porta.
Puxou uma flecha da aljava e assassinou um deles. Antes que o colega ao lado pudesse perceber o que tinha acontecido já tinha sido trespassado por outra seta. Um terceiro homem viu os corpos e gritou por ajuda. Começaram todos a procurar um inimigo. Lara não tinha qualquer tipo de esconderijo. Não iam demorar muito a encontra-la. Ela não podia fingir-se de aliada. Era a única com um arco ali. E mesmo que pudesse, ainda havia quatro agentes para matar. Não havia tempo para conversas.
Conseguiu surpreender um deles por trás, abatendo-o com a faca. Foi nesse instante que os restantes a localizaram. Começaram os tiros. Antes que o homem com a faca no pescoço caísse no chão, Lara puxou-o e abrigou-se atrás dele. Tirou-lhe a arma do coldre e, agora com duas pistolas, conseguiu excluir outro deles. Ficou sem munição antes que conseguisse avançar mais. Restavam 2.
Lara chutou o seu escudo, guardando a faca ensanguentada, e correu na direção deles. Atirou o seu machado arpéu a um, que foi puxado pela perna, servindo de rasteira ao outro, que caiu no chão. Quando este se levantou levou com a faca no olho. O último deles não durou muito. Uma machadada nas costas foi o seu fim.
Ofegante, começou a descer a montanha para ir buscar o disco dourado, que tinha deixado no helicóptero.
- É isto que procuras? – sorriu Letícia, subindo a montanha, com o disco nas mãos.
Lara apontou-lhe a pistola, ainda que descarregada.
- O que são todos estes corpos, Lara? Estiveram a brincar aos tiroteios? – continuou Letícia, irónica, ao observar o topo da montanha.
- Dá-me esse disco! – gritou Lara.
- Porquê? És só mais uma agente da Trindade, não é? A única coisa que queres é o mesmo que todos nós, certo? Recuperar a fonte divina. Ou será que o teu plano era outro?
- O meu plano era outro. O meu plano é outro. E eu aposto que o teu também.
- É. Parece que ambas traímos a Trindade. Mas temos um pequeno problema. Os nossos planos são diferentes. E o meu será o único a ser posto em prática. – irritou-se Letícia.
- Diz-me, Letícia. Porque é que queres voltar no tempo? O que é que…
- Eu? Quem disse que eu queria voltar no tempo? Lara, eu estou melhor do que nunca. Agora vivo nas melhores condições, quando não estou em campo, claro. E mesmo durante as missões eu vivo melhor do que vivia no México, como ladra. Eu não quero usar a porta dos deuses. Eu quero certificar-me de que ninguém a usa. – explicou – Para que ninguém volte atrás no tempo. Porque se voltarem eu posso nunca ser convidada para a Trindade. E isso não pode acontecer.
- Então o teu plano é…
- Destruir o disco. – interrompeu – Sem ele ninguém consegue usar a porta.
- E vais destrui-lo como? Como pensas fazê-lo sem que a Trindade perceba a tua traição?
- Tens razão. Deste-me uma ótima ideia. Como é que eu não pensei nisto antes? Basta usar a porta. Posso voltar no tempo para ontem. A porta só funciona uma vez a cada 500 anos. É brilhante! – ria-se Letícia – E o melhor de tudo é que ninguém vai desconfiar de nada. Nem tu te vais lembrar desta nossa conversa. Vão só tentar abrir a porta e, quando não acontecer nada, vão achar que era só uma lenda falsa. É o plano perfeito! Graças a ti.
- O que te faz acreditar que esta não é mesmo só uma lenda falsa? – insistiu Lara.
- Um artefacto que concedia vida eterna a todos os que olhassem para ele era real. Uma simples viagem no tempo que só funciona uma vez a cada 500 anos não? Claro que a lenda é verdadeira. E se não for, eu nem vou precisar de fazer nada. Vou continuar na Trindade. – ria-se.
- Esse disco é meu! – gritou Lara, correndo e agarrando no disco, apanhando Letícia desprevenida.



CAPÍTULO 17 – O meu plano
Estavam as duas a agarrar no disco dourado, a chave para a porta dos deuses. Uma de cada lado. As duas puxavam com toda a força. Lara inverteu o sentido da força que fazia e deu com o artefacto na cara de Letícia. Esta caiu no chão e deu um tiro no braço de Lara. Levantou-se e, quando estava prestes a alcançar o disco, Lara chutou-o para longe e deu-lhe uma punhada lateral. Antes que se pudesse defender, Letícia levou outro murro, desta vez no queixo. Sem ter tempo de cair ao chão, ainda suportou um pontapé no estômago, que lhe dificultou a respiração.
Uma mão agarrou o disco. Porém não era nem Letícia nem Lara. Essa mão levantou o disco e ouviu-se:
- É por isto que estão a lutar?
A outra mão segurava uma pistola, apontada a Lara. Era ela. Sam. Ela estava ali. Ela tinha o disco. Estava tudo nas mãos dela.
- Perdeste, Lara. A Sam nunca chegou a sair da Trindade. – ria-se Letícia, maleficamente – Ela sempre esteve connosco. Depois do teste não a mandamos embora. Ela só ficou… Guardada.
- Agora dá-me esse disco! – esticou, Letícia, a mão, sorrindo sinistramente.
- Sim, eu ainda estou na Trindade… Mas não quero mais. – disse Sam, mudando o alvo e puxando o gatilho.
Uma bala perfurou a testa de Letícia. O sorriso desmanchou-se. A mão baixou. Os olhos reviraram-se e os joelhos começaram a descer. Ela caiu morta no chão, no meio de uma poça de sangue.
- Pensei que tivesse dito que nunca mais te queria ver. – disse Lara, baixando a arma.
- Eu percebi o teu plano desde o início. – sorriu Sam.
- E qual era o meu plano? – duvidou.
- Entraste para a Trindade para descobrires mais sobre o teu pai. Sobre a morte dele. Sobre a traição da Ana. Sobre tudo. Acertei?
- Sim…
- Mas o teu plano mudou. – continuou ela - Quando soubeste que a Trindade estava à procura de uma maneira de viajar no tempo. Tu quiseste encontrar essa maneira primeiro. Tu queres voltar no tempo para o dia em que o teu pai morreu. Para descobrires o que realmente se passou. Acertei?
- Como é que eu hei de dizer que… Sim.
- Apesar de tudo ainda te conheço bem, Lara. – sorriu Sam.
- Não penses que eu fiz aquele teste só pelo meu plano. Eu tive realmente vontade de te matar. E ainda tenho.
- Mata-me. O que temos a perder? Eu vou ser deixada para morrer aqui no Peru. Tenho a certeza. Mata-me.
- Matar-te porquê? Vou voltar atrás no tempo. Tudo o que eu fizer agora vai deixar de ter acontecido. – explicou Lara.
- Diz-me, Lara. Tu só queres mesmo ver o que aconteceu naquele dia? Ou pensas tentar mudar alguma coisa?
- Eu… Eu só quero respostas. Eu não vou mudar nada. Só quero descobrir a verdade. Só isso. Tenho plena consciência de que mudar o passado pode ter graves consequências no futuro. Aliás, no presente.
- Acho que vais precisar disto. – aproximou-se ela, esticando a mão com o disco dourado.
- Eu… Obrigado. – agarrou no disco.
- Então, como se abre esta porta? – perguntou Sam.
- A lenda diz que a porta só funciona de dia. Mas porquê? Só pode ter alguma coisa a ver com o sol. – pensava, caminhando para a porta.
Lara posicionou o disco de forma a que o sol se refletisse nele. Apontou, depois, o reflexo para a porta. Começou a ouvir uma música. Uma música bastante baixa. A terra começou a vibrar. O reflexo do sol ficou azul e a porta começou a ficar da mesma cor. Vinha de lá uma intensa luz. Não se via nada no interior. Saía bastante fumo de lá. Vinha também um cheiro. Era o perfume do pai dela. Ela tinha a certeza.
Nesse instante surgiram alguns agentes da Trindade, que tinham ouvido tiros. Com as armas apontadas para Lara e para Sam perguntaram o que tinha acontecido. Quem tinha morto todos aqueles homens?
- Fui eu!! – acusou-se Sam, levantando as mãos – Matei-os.       
Não hesitaram em abatê-la.
- Desculpa. – sussurrou Lara.
- Pai? – ouviu-se, do interior da porta, a voz da pequena Lara.



CAPÍTULO 18 – O dia em que o meu pai morreu
Lara encarou os agentes e correu para a porta, perdendo-se no meio do nevoeiro. Lá dentro não conseguia ver nada. Olhou para trás e viu a porta dos deuses a fechar-se. Ela tentava pensar no pai com toda a força. Só tinha uma oportunidade.
Continuou a andar em frente, mesmo às cegas. Tudo começou a escurecer. O nevoeiro foi ficando negro. A música foi desaparecendo. Começou a surgir um corredor. Um longo corredor. Ela estava na mansão. No fundo do corredor estava a inconfundível porta do escritório de Richard. O escritório do pai dela.
Lara, completamente arrepiada, aproximou-se devagar. Quando esticou a mão para puxar a maçaneta, a porta abriu-se sozinha. As duas portas, na verdade. Lá estava ele, no fundo da sala. Sentado na cadeira de sempre. Na secretária de sempre. E na mesa estava o jornal que o chamava de louco.
A porta atrás de Lara fechou-se. As paredes mexiam-se. Como se fossem falsas ou visões. Estava escuro ali. Como num filme de terror. Ele ergueu a cabeça. Olhou-a de cima a baixo. Levantou-se e cerrou os olhos, como se não estivesse a ver bem.
- Quem és tu? – perguntou ele.
- Tu… Consegues ver-me? – perguntou Lara, deixando escapar a primeira lágrima.
- Acho que sim. Mas… Lara? És tu? – confundiu-se, aproximando-se.
- Não! Por favor não me toques. – chorou – Finge que eu não estou aqui! Por favor continua a…
- Eu… Eu não posso estar a ver bem. Como é que… Ana? – chamou ele – Podes vir aqui?
- Não! – pedia, Lara, lavada em lágrimas – Não mudes nada, pai. Só… Continua o que estavas a fazer. Eu… Eu não estou aqui… Eu…
- Não estás. Claro que… É claro que não estás. – afastou-se ele.
- Claro que eu estou a ver coisas. Este jornal tem razão. – irritou-se Richard, atirando o jornal na direção de Lara.


- Não. Por favor para com isto. – devolveu ela o jornal – Tu não podes mudar nada. Confia em mim, finge que eu não estou aqui. Eu sou… Eu sou uma visão.
- Uma visão. – sorriu ele – E que linda visão. Estás igualzinha à tua mãe, Lara. Como tu cresceste…
- Por favor, para com isso. – limpava as lágrimas.
- Ao que tu chegaste, Richard. – falava ele, sozinho – Ver a tua filha com 9 anos e adulta no mesmo dia. Chegaste ao ponto de alucinar.
- Pai…
- Eles tinham razão. Todos eles! Quando diziam que eu era maluco. Este jornal está certo. – atirou o jornal ao chão.
- Não. Isso não é verdade! Para…
- Eu estou a falar com uma ilusão. – sentou-se ele.
- Eu estou mesmo louco. – tirou, de uma gaveta, uma pistola. – Eu sou mesmo louco.
- Pai? O que é que…
- Vamos ver se tu és real. – apontou ele a arma para Lara.
- Não! Não faças isto. Por favor! – afastou-se, assustada.
- Espera… Vamos ver se EU sou real! – sorriu, mirando a pistola à sua cabeça.
- NÃO! NÃO PODES! NÃÃO!! – gritava Lara.


O gatilho foi puxado. O som de um tiro penetrou no coração de Lara. Ela fechou os olhos. Não queria ver. Não podia ver. Impossível. Ela tinha morto o próprio pai.
- Pai? – ouviu-se, do lado de fora, a voz da pequena Lara.



CAPÍTULO 19 – O final
Lara começou a hiperventilar e a ficar tonta.
- Pai? Está tudo bem? – continuava a pequena Lara.
As suas mãos começaram a desaparecer. Quando a criança entrou na sala, a adulta já lá não estava. Lara voltou a passar pelo mesmo corredor com nevoeiro e ao fundo estava, mais uma vez, o escritório do pai. Ela entrou. Haviam papéis sobre a fonte divina por todo o lado. Ela tinha voltado ao presente. Ou ao futuro… Ela tinha chegado da aventura na Sibéria agora. Conseguia lembrar-se de tudo. Do Peru, da viagem no tempo… Mas nem tudo estava igual.
Uma nova realidade tinha acabado de ser criada. Uma realidade onde ela nunca procurou Letícia no México, onde ela nunca entrou para a Trindade. Uma realidade onde Letícia e Sam ainda estavam vivas. Onde o diretor da Trindade, o psicólogo, ainda se achava secreto. Onde Sam estava do outro lado. Do lado deles. Ela estava na Trindade.
Os acontecimentos de Yamatai1 e da Sibéria2 tinham ocorrido praticamente da mesma maneira. Ana estava morta. A Trindade estava neste momento no Peru, a procurar uma maneira de recuperar a fonte divina. E essa maneira só poderia ser usada dali a 500 anos.
A diferença mais importante desta nova realidade: ninguém matou o pai de Lara. Nesta nova realidade Richard tinha-se suicidado por vê-la adulta. Por se achar louco. Nesta realidade não havia nenhum assassino por aí. Na nova realidade ele tinha morrido por culpa de Lara. Tinha-se tornado impossível descobrir o que realmente tinha acontecido naquele dia. Porque aquele dia tinha sido alterado. O dia da morte do pai dela. Já não havia nada para descobrir. A outra morte nunca tinha acontecido…
Ela não podia guardar este segredo consigo. Precisava de Jonah. Combinaram encontrar-se na mansão. Lara contou tudo. Via-se na cara dele que não estava a perceber nada. Mas pelo menos ela tinha desabafado com alguém.
- Estás a dizer-me que o teu pai se matou porque tu viajaste no tempo e que por isso já não podes descobrir quem o matou na outra realidade porque criaste esta nova realidade onde ele se matou porque…
- Sim, Jonah. Sim… É isso mesmo. É confuso, mas tu percebeste. – limpava, Lara, as lágrimas.
- E a Sam está na Trindade. Não consigo acreditar que… - continuou ele.
- Nem eu. – interrompeu – Ela… Jonah, neste momento ela é uma inimiga. Mas eu sei que ela ainda está do meu lado. Eu vi nos olhos dela. Eu…
- Isto é tudo muito estranho, Lara… O que é que…
- Sabes o que aprendi? Não posso mudar o passado. Só o futuro. – explicou ela.
- E o diretor? Pensas fazer algo com ele?
- Eu… Jonah… Nenhum jogo tem graça sem uma equipa adversária. As aventuras precisam de perigo! E eu tenho a vantagem de saber quem ele é sem ele sequer desconfiar.
1 Referência ao primeiro jogo (Tomb Raider 2013)
2 Referência a Rise of the Tomb Raider  

 FIM




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