7 de setembro de 2016

OPINIÃO: A nova Lara foi realmente necessária?


OBSERVAÇÃO: É um artigo de opinião. O artigo pode chocar ou irritar fãs que tenham por hábito o uso de antolhos e que não respeitem/aceitem/ouçam opiniões diferentes da sua. Considerem-se avisados.


O QUE ESTÁ A ACONTECER?

Parece que, nos últimos dias, um conflito antigo entre os fãs de Tomb Raider tem vindo a ressurgir das cinzas, se é que alguma vez ele esteve morto. Lara clássica ou Lara reboot? A nova Lara foi realmente necessária? A resposta é curta e clara: Sim.

E quanto ao “Lara clássica vs Lara reboot” tenho uma palavra para descrever essa guerra: ridícula. Vocês podem preferir a Lara clássica? Claro! Vocês podem preferir a nova Lara? Claro! Vocês podem odiar as duas? Óbvio. Só não exponham a vossa opinião como se fosse facto, como se fosse uma tese e não um ponto de vista. Neste artigo vamos tentar abrir os olhos de muitos fãs que dedicam o seu tempo a este tipo de brigas.


O GAMEPLAY DO REBOOT

O reinício da série que o mundo conheceu em 2013 foi a mudança mais inteligente feita em toda a saga. Em primeiro lugar, é necessário que os fãs entendam que ou temos a nova Lara ou não teríamos nenhuma. A Lara clássica, ou mesmo a Lara da trilogia LAU (Legend, Anniversary, Underworld) jamais estaria nas bocas do mundo atualmente. Nós assistimos a uma queda de relevância cada vez maior da marca e nenhum de nós gostou de ver isso. Querendo ou não, o gameplay estava ultrapassado. Faltava inovação. O público estava a mudar, o mundo estava a mudar. Tudo mudava, exceto Tomb Raider. E se o Tomb Raider 2013 nunca tivesse existido? Em que situação estaria a série hoje? Provavelmente falida.

Repararam que desde 1996 a Lara pouco ou nada mudou? Comparem o Tomb Raider Original com o Tomb Raider Underworld, por exemplo. Uma mulher atlética que corre, salta, escala, dispara, resolve puzzles e encontra artefatos míticos. Claro, o gameplay foi aprimorado e a história melhorou cada vez mais e foi ganhando mais profundidade. As razões pelas quais a Lara embarcava nas suas aventuras foram ficando cada vez mais críveis. E sim, a cada jogo surgiam uns movimentos novos, uns equipamentos novos, umas roupas novas. Mas acham que, quase 20 anos depois, isso ainda era suficiente? Tomb Raider brilhava nos puzzles. Esses sim eram sempre diferentes e desafiadores. Mas só isso chegava para o público geral?

O reboot acertou em cheio nesse aspecto. Um gameplay totalmente atualizado. Mira manual, um combate corpo-a-corpo finalmente decente, um foco diferente nos assassinatos silenciosos, uma nova arma muito bem-vinda: o arco. Alguns fãs podem não gostar deste gameplay? Claro, mas são obrigados a reconhecer que esta mudança foi necessária para o próprio bem-estar financeiro da Crystal Dynamics, já que seria o fim de Tomb Raider mais tarde ou mais cedo.

“Mas mudou tudo, porque é que se chama Tomb Raider?” Meus amigos, a marca era conhecida, a personagem era conhecida. O gameplay está sim completamente diferente, mas há motivos para ainda ser um Tomb Raider. E não, infelizmente não são os puzzles.  


A NOVA LARA

Quando algo faz sucesso não podem faltar as críticas. Durante anos os produtores (e os fãs) tiveram de ouvir, por exemplo, que Tomb Raider só fazia sucesso por causa do aspecto provocador da Lara. Não entenderam? Peitos gigantes, cintura minúscula, roupas apertadas ao ponto de ser impossível não explodirem assim que ela desse a primeira cambalhota, calções quase cuecas que ela usava no meio da neve. Continuo?

Sou da opinião de que a mulher deve sair à rua da forma mais provocadora que conseguir, se ela o quiser fazer. E não é por isso que ela deve ser comparada a nenhuma prostituta. Ainda que prostitutas ganhem a vida de forma válida, pelo menos para mim. Não é porque a Lara anda com roupas minúsculas que ela foi feita para os homens – e algumas mulheres, porque não? – se babarem e jogarem apenas e só por causa da sua aparência. Pelo contrário, segundo o criador da Lara, Toby Gard, ela foi criada como uma mulher demasiado perfeita e inalcançável. Não como um pedaço de carne que qualquer um podia comprar. Ela andava provocadora porque se sentia bem consigo própria, porque ela queria andar assim e porque ela podia andar assim.

Mas a Crystal fartou-se de ouvir acusações dessas. Porque hoje em dia qualquer mulher que seja sensual num filme, jogo, etc, deve ser apedrejada. E todo o sucesso desse filme ou jogo foi necessariamente devido à sensualidade dessa personagem. Bem, problema resolvido. A nova Lara tem dimensões completamente humanas, roupas nada provocantes e até a sua autoestima caiu. Porque agora a Lara é humana. “Tomb Raider só faz sucesso porque a Lara é sensualizada” – Vivam com esta: O Tomb Raider 2013, o primeiro jogo da nova Lara (não sensualizada) foi o jogo mais vendido de TODA a série.

Ora, afastadas as críticas alheias, surgiram as críticas dos próprios fãs. A Lara estava demasiado diferente. É impressão minha ou ninguém entendeu que, naquele jogo, a Lara tinha 21 anos? A Lara que conhecíamos estava na casa dos 40. As pessoas mudam o tempo todo. Como querem comparar duas mulheres com mais de 20 anos de diferença? E não, a nova Lara não é o passado da Lara clássica. Nem a Lara clássica é o futuro da nova Lara. Isto é, são universos diferentes. Aos 40 anos, a nova Lara não será a Lara irreal que era a Lara clássica. Mas até lá vai certamente aprender e evoluir muito. E vocês, com essas guerras, estão a perder algo tão mágico como assistir à evolução da nossa personagem favorita. Algo que nunca tivemos a oportunidade de ver.


ELEMENTOS CLÁSSICOS

Vejo muita gente a sentir falta de elementos clássicos. Os puzzles, as viagens e a personalidade da Lara? Não. A trança, os calções e as pistolas gémeas. O quão ridículo soa isto? A maior parte dos fãs sente falta de elementos visuais e, atrevo-me a dizer, inúteis. Eu, pessoalmente, sinto falta da Lara confiante e do seu humor sarcástico. Sinto falta das viagens dela pelo mundo e de quebra-cabeças complexos. Claro, seria lindo ver um capítulo onde a Lara usasse uma trança ou uns calções, assim como foi ótimo vê-la com duas pistolas no final do Tomb Raider 2013. Todos gostamos de nostalgia. E a Crystal Dynamics está a trazer esses elementos aos poucos. A mansão da Lara é outro exemplo. Só não sinto a necessidade de ter esses elementos durante todo o jogo. Até porque a Crystal não gastou uma fortuna em TressFX para a Lara usar uma trança.

Mas faz assim tanta diferença usar uma ou duas pistolas no gameplay? Rabo de cavalo ou trança, calças ou calções? Não acho correto que vocês usem o cabelo, o rosto, a roupa ou as armas para insultar os novos jogos. Nem mesmo a personalidade é um argumento válido. A Lara ainda é muito nova, ela não pode ser a mesma pessoa, não faria sentido. Não é errado sentir falta de qualquer um dos aspetos que referi. Só é errado usar a ausência deles como defeitos a apontar.

Já experimentaram focar nas qualidades? Temos uma arma silenciosa pela primeira vez. Temos um monte de novas habilidades, temos um jogo completamente realista, uma história muito mais forte, gráficos estonteantes. E um dos maiores defeitos apontados por alguns pode tornar-se uma grande qualidade: Nós estamos a assistir à ascensão da Lara, como sugere o segundo título pós-reboot, Rise of the Tomb Raider. Quantas vezes vimos a Lara chorar? Sangrar? Rir, gritar, cair, desmaiar? Tínhamos uma Lara quase supermulher, quase sem emoções. Não conseguem ver a obra de arte que são os novos jogos neste sentido? Conseguiram tornar a Lara humana, torna-la uma personagem que parece real. Vocês acham que a Lara clássica nasceu acrobata e confiante? Ela passou por muita coisa antes. E é isso que nós estamos a ver agora.


LARA CLÁSSICA vs LARA REBOOT

Apenas parem. Preferem os jogos clássicos? Ótimo, joguem-nos como jogos antigos e CLÁSSICOS que são, não fiquem a compará-los aos jogos atuais porque não faz sentido. Vocês não têm de aceitar tudo o que os produtores fazem. Claro que os jogos atuais também não são perfeitos, mas eles salvaram a série e nós temos de estar gratos por isto.

Preferem os jogos atuais? Que bom, joguem-nos e fiquem animados por futuras notícias, mas não critiquem um jogo de 1996 onde aqueles “gráficos horríveis” e aquela “jogabilidade horrível” eram dois dos aspetos mais elogiados na época. Lembrem-se que os jogos atuais serão considerados como tendo gráficos e jogabilidade ultrapassados no futuro.

Tomb Raider é um jogo que se manteve relevante ao longo de 20 anos, justamente graças aos reboots. Todos temos os nossos jogos favoritos e aqueles dos quais gostamos menos. Mas é tudo Tomb Raider. É tudo Lara Croft.


CONCLUSÃO

O objetivo do reboot foi exatamente esse. O objetivo foi 200% cumprido: chocar. Uma mudança radical na Lara e no jogo. Pronto, Tomb Raider está de volta ao topo. Agora é só esperar que a Lara fique cada vez mais experiente, mas sem cair no ridículo do impossível. E é isso que os novos jogos contam. A transição. Então chega de treta e vamos todos jogar os jogos que mais gostarmos, pode ser? Se eu não gosto de alguma coisa eu simplesmente não vejo/ouço/jogo. Não fico a discutir na Internet com pessoas que gostam. Porque o mundo é feito de pessoas diferentes. E lembrem-se, amiguinhos: Opinião não é facto.

Miguel Marques

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Pessoal, se vocês gostam deste formato de artigos de opinião e querem ver mais conteúdo como este, não se esqueçam de deixar o vosso apoio. São todos livres de deixar a vossa opinião nos comentários, com educação e, por Himiko, sem brigas. Obrigado a quem leu!

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